sexta-feira, agosto 19, 2005

descaminhos / O GOLPE DE ASA


As notícias de hoje sobre o fecho das fábricas da DELPHI em Portugal, não são mais do que uma nova confirmação das políticas económicas estruturalmente erradas que Cavaco Silva tomou quando governou.
Artificialmente, a contra-ciclo das grandes movimentações já detectáveis no sector automóvel mundial, tardiamente, o homem que, aos olhos de alguns, aparece hoje como o único capaz de pôr isto direito, teimou em impôr a Portugal um 'cluster' automóvel ...
O resultado está bem à vista: cada governo que entra, e há trinta anos que, em média, entra um de dois em dois anos..., vai a correr bater à porta dos accionistas da AUTOEUROPA, oferecer tudo o que for preciso, para não abandonarem Portugal e fazerem cair a pique o PIB (2,5%) e as exportações (10%) nacionais.
Preocupou-se Cavaco então em recuperar e desenvolver o sector da construção naval, com fortíssimas tradições de engenharia, de técnica profissional, de concepção, de ensino, de operação?
Preocupou-se nessa altura Cavaco em saber que havia em Portugal uma fábrica do maior construtor de comboios do mundo, que era preciso enquadrar, essa sim, num cluster do sector ferroviário, tendo em atenção, também, o profundo enraizamento ferroviário que existe em Portugal?
Com o perfil psicológico que se lhe conhece, mais velho como está, existe alguma esperança que agora se emende?
Portugal precisa, como agora se diz, de um golpe de asa.
Inserido que está, crescentemente, num sistema económico global, onde a China e a Índia se tornarão 'players' determinantes, Portugal não pode ficar à mercê de mentes que não têm ideia criativa, inovadora, diferente das gastas ideologias dos séculos passados, ideia da função que Portugal deve escolher e estrategicamente aplicar no seu relacionamento internacional.
Cavaco Silva, como Mário Soares, contribuiram decisivamente para levar o país para o beco de desenvolvimento e de crescimento económico em que se encontra e do qual não o vão conseguir tirar.
Não são, seguramente, os visionários capazes desse golpe de asa!

magister dixit / NATUREZA HUMANA

Em boa verdade, os seres humanos são máquinas construídas pelos ácidos nucleicos de modo a fazer réplicas de mais ácidos nucleicos, eficientemente. De certo modo, os nossos impulsos mais fortes, as iniciativas mais nobres, as necessidades mais prementes e os desejos aparentemente livres são todos uma expressão da informação codificada no material genético: nós somos, em suma, repositórios temporários e ambulantes dos nossos ácidos nucleicos. Isto não nega a nossa natureza humana; não nos impede da procura do bem, da verdade e da beleza. Mas seria um grande erro ignorar donde viemos na nossa tentativa de busca para onde vamos.
(Carl Sagan, 'As Ligações Cósmicas', Lisboa, Bertrand, 1987, p. 22)

quinta-feira, agosto 18, 2005

pilhérico / PRÍNCIPES


Segundo a hola.com, William e Harry, serão estrelas dos Simpsons, na próxima temporada:
Didáctico ou pedagógico?

descaminhos / RODA LIVRE


O blog "Para Mim Tanto Faz" traz novamente à superfície o modo de actuar do Banco Espírito Santo (BES). Modo de actuar que, pelos vistos, já vem de longe!
Referimos recentemente a confusão que existe entre Grupo Espírito Santo (GES) e Banco Espírito Santo, com as autoridades nacionais a fazerem de conta que não é nada com elas.
Muito oportunamente, o "Para Mim Tanto Faz", mostra agora que já no caso Collor, o BES esteve envolvido, o que significa que o problema está bem enraizado e o modo de fazer é despudorado.
Só aqui no rectângulo é que não vêm ao de cima as influências perniciosas, certamente ilegítimas, deste grupo económico no desenvolvimento do país, pelo menos por enquanto.
Em matéria de corrupção em Portugal, Freitas do Amaral tem cada vez mais razão (ele lá saberá!) ... quando surpreendentemente afirma que não podemos dar lições a ninguém.
É justamente neste ponto, crucial quanto ao desenvolvimento e ao crescimento económico, que a dita democracia portuguesa falha! Não há controlo sobre o tráfico de influências entre poder político e poder económico.
Não podemos esquecer que a gestão do equilíbrio dos poderes, mormente dos poderes económico, e financeiro em particular, é um elemento estrutural das democracias modernas.
Ora, em Portugal, nesta matéria, estamos em roda livre.
Se não, veja-se com que à vontade fala Monteiro de Barros sobre a Autoridade da Concorrência, a propósito da actuação desta na PT, onde o BES é accionista de referência.
Os processos a decorrer no âmbito do futebol são um gota de água, em comparação com o oceano que se pode vislumbrar.
Durão Barroso, Miguel Frasquilho, António Mexia, Manuel Pinho são só alguns exemplos de quem ora está no BES/GES, ora está no governo.
Alguém se lembra ainda de um chefe de governo que muitos defeitos terá tido, mas a quem os banqueiros não davam a volta?
... É a diferença entre ser ou não estadista ...

aisthesis / HUMAN SPECIMENS

Uma exposição, decerto muito interessante, no caminho para a emergência das zonas cinzentas do comportamento humano, zonas em que se refugiam muitos animais subtilmente disfarçados de seres com humanismo.

parti pris / EAU PROFONDE

Nestes tempos em que, com já muita frequência, se vai ouvindo falar em atributos como 'fundador da democracia' e 'dono da república', é preciso referir Fernand Braudel, para mais neste ano de 2005, em que passam 20 anos sobre a sua morte.

aisthesis / IMPREVISTO

quarta-feira, agosto 17, 2005

magister dixit / PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

hope / DILEMA


AS LONGAS DURAÇÕES QUE ESTRUTURAM A HISTÓRIA NÃO SE APAGAM POR MAIS EVIDENCIADO QUE SEJA O QUOTIDIANO FÁCTICO
Most Americans remember exactly where and when they learned about terrorist attacks in America on September 11th, 2001 and regard these events as a turning point that forever changed their sense of security in the United States. Were Americans safe from attack prior to this date? No. History reveals over 125 major incidents of subterfuge, terror, or violence on American soil by enemies within its borders many with deadly consequences and grave impact. Each time, Americans responded with renewed patriotism, determination, and a quandary: how can the country be made more secure without compromising the civil liberties upon which it was founded?
THE ENEMY WITHIN reveals dramatic episodes in American history, from 1776 to the present, when the US was attacked at home. How the country acted -- and sometimes over-reacted-- resulted in the evolution of US counterintelligence and security measures that have positioned the Federal Bureau of Investigation, the Central Intelligence Agency, the Department of Homeland Security, and the vigilance of every American, to contend with the enemy within today.

produtividade / NANOTECNOLOGIA

A nanotecnologia nas patas do lagarto
De acordo com a National Science Foundation,
"Renowned for their ability to walk up walls like miniature Spider-Men--or even to hang from the ceiling by one toe--the colorful lizards of the gecko family owe their wall-crawling prowess to their remarkable footpads. Each five-toed foot is covered with microscopic elastic hairs called setae, which are themselves split at the ends to form a forest of nanoscale fibers known as spatulas. So when a gecko steps on almost anything, these nano-hairs make such extremely close contact with the surface that they form intermolecular bonds, thus holding the foot in place.

Now, polymer scientist Ali Dhinojwala of the University of Akron and his colleagues have shown how to create a densely packed carpet of carbon nanotubes that functions like an artificial gecko foot--but with 200 times the gecko foot's gripping power. Potential applications include dry adhesives for microelectronics, information technology, robotics, space and many other fields.

The group's work was funded by the National Science Foundation, and is reported in a recent issue of the journal Chemical Communications."

pilhérico / LEITURAS


Agora é a Victoria Beckham que diz que nunca leu um livro...

E ela precisará porventura de ler livros?

João de Deus, mesmo afanadinho na alfabetização do povo com a sua Cartilha Maternal, não deixaria por certo de concordar...

pilhérico / MONTAR


Ora, já vai para seis séculos que D. Duarte escreveu o Livro da Ensinança de Bem Calvagar Toda a Sela ...
D. João I, o pai ... , esse escreveu o Livro da Montaria!

hope / CIÊNCIA

Vem a propósito observar, tal como Edward Osborne Wilson:
"I am suggesting a modification of scientific humanism through the recognition that the mental processes of religious belief - consecration of personal and group identity, attention to charismatic leaders, mythopoeism, and others - represent programmed predispositions whose self-sufficient components were incorporated into the neural apparatus of the brain by thousands of generations of genetic evolution. As such they are powerful, ineradicable, and at the center of human social existence. They are also structured to a degree not previously appreciated by most philosophers."
('On Human Nature', London, Harvard University Press, 1978, capítulo Hope, pág. 206)

terça-feira, agosto 16, 2005

andeiro / ARTISTA

Altamente criticável é muito pouco para qualificar o comportamento deste exemplar dos empreendedores (!?) saídos das ainda fedorentas entranhas do PREC.
Desgovernados quanto aos valores que sustentaram o ideal português de estado independente, desorientados no que concerne à função de Portugal no mundo de exorbitante competitividade em que abriram os olhos, medrosos perante os cabos da boa esperança dos nossos dias, frouxos na criatividade estratégica nacional, é vê-los andar por aí.
Este protótipo do Compromisso Portugal (Uma iniciativa de causas!!!) acha, então, que ele pode vender, quando, como, o que quiser, mas os outros não! Para ele a banca é que não pode ir para as mãos dos espanhóis, o sector da construção, esse pode, não interessa...
Ou seja, onde se cria riqueza real, os espanhóis podem pôr a mão!
P'ra quê palavras ... é um artista português.

fancy / À TONA

Se alguma dúvida ainda houvesse sobre o papel que António Vitorino desempenha como comentador de serviço, ficou ontem dissipada.

Conseguindo ser menos objectivo do que Rebelo de Sousa e Pacheco Pereira, mostrou, na prova de fogo a que foi submetido, que o seu instinto gregário se sobrepõe a quaisquer veleidades da razão.

É lá alguém (que utilize uma porção mínima de razão) capaz de compreender a defesa que fez da ausência do primeiro-ministro, em férias, com as perdas humanas e materiais que estão a ocorrer devido aos incêndios em Portugal?

É esta noção do dever político de um eleito que Vitorino aprendeu enquanto esteve comissário na UE?

O corte, o golpe de asa, que se impõe não pode, pois, contar com um homem tão fechado, tão mesquinhamente circunscrito aos interesses partidários, tão solícito na defesa do indefensável. Desenganem-se os que alimentavam a esperança de, finalmente, aparecer alguém com visão, em Portugal!

De resto, não se lhe conhecem também análises suficientemente profundas sobre o que está mal no sistema português, sobre o que está a conduzir o país para a perda de independência através da economia, não obstante ter uma democracia consolidada e desenvolvida.

Será adepto da crença de que uma 'mão invisível' actuará no momento próprio, para recolocar a economia portuguesa num caminho de desenvolvimento?

Achará que Portugal não precisa de juntar, decididamente e com urgência, em projectos comuns, interesses privados e públicos, com o objectivo de tornar o país competitivo, perante a globalização?

Terá porventura reparado já que, nestes tempos, os países mais avançados, contam com a suas empresas públicas e privadas, para conquistarem posições correspondentes às que, até não há muito, eram obtidas essencialmente com meios militares?

Apercebeu-se que esses países, democráticos, têm objectivos inseridos nas suas leis principais, onde se incluem, para além da garantia dos recursos estratégicos, os mercados-chave, que servem para orientar todas as suas políticas?

E já terá notado que, nessas matérias, Portugal tem um atraso ancestral, atraso que impregna o bafiento texto constitucional?

António Vitorino fica, como os demais, à tona, limitado pela teia de interesses imediatos da manutenção dos seus correlegionários no poder ... não é com a sua atitude, exemplificada acima, que conquistaremos outra vez a distância.

segunda-feira, agosto 15, 2005

magister dixit / ARTIFICIAL WORLD



The living resources of the world -- ecosystems and its species -- are still largely unexplored, much less studied for the benefits they might hold for humans, for example, new pharmaceuticals or water purification. Some ecologists and economists have estimated that the total value of these natural ecosystems, that's the total amount of services they provide to humanity, is in the vicinity of 30 trillion dollars a year. That's more than the total of the gross national products of all nations combined. And it's free!To save and make fuller use of them in a non-obtrusive way is economically valuable to us. To destroy them is to force humanity into an artificial world in which we have to personally manage our water systems, our food supply, and our atmosphere by prosthetic devices day by day instead of relying on powerful organisms to do the work for us. Do we want to turn Earth literally into a spaceship that requires constant tinkering?

parti pris / CIUDAD REAL


A mistificação sobre o investimento no transporte ferroviário de alta velocidade, em Portugal, não poderia ser mais reveladora do estado em que estão os nervos dos portugueses.

Só falta mesmo o Governo de Portugal passar a estabelecer, ou aplicar, as suas políticas em função da discussão pública (gritaria) que as mesmas provocarem sobre os respectivos efeitos na subida ou descida do valor das acções na Bolsa ...

Haja ou não decoro, a decisão sobre o investimento público na alta velocidade não tem de estar dependente de estudos económicos, financeiros ou sociais, que não sejam os de garantir um preço justo nas adjudicações!

A questão da procura e da oferta no serviço de transporte ferroviário remete para análises sem fim, de tal modo que, a ser-lhes dado espaço, a vontade política de qualquer governo, ficaria reduzida a nada.

Pelos dados históricos e pelo conhecimento de casos recentes, pode-se afirmar, com bastante rigor, que a oferta de transporte ferroviário promove a procura deste tipo de transporte, ao mesmo tempo que permite a organização ou a reorganização do território.

Foi o que aconteceu com a implantação e desenvolvimento do transporte ferroviário em Portugal. Quantas cidades são hoje o que são, pura e simplesmente porque foram bafejadas pela sorte de se encontrarem no cruzamento das linhas que foram inicialmente desenhadas?

E o exemplo recente, de resto relativo a alta velocidade, de Ciudad Real, em Espanha? Repare-se nas conclusões do estudo "Cambios en las ciudades intermedias de la línea de alta velocidad Madrid-Sevilla entre 1991 e 2001":

El AVE parece jugar un papel de relanzador de la ciudad en algún caso, de estímulo al desarollo, precisamente en ciudades que no estaban entre las más dinámicas, como es el caso de Ciudad Real, tradicionalmente fuera de las principales redes de circulación. Y ello a pesar de no haber existido, de forma generalizada, la previsión y planificación adecuadas para que el nuevo medio de transporte cumpliera ese papel dinamizador. (subl. n/).

Para além de tudo o mais, que é muito, o traçado da alta velocidade em Portugal poderá ser uma grande oportunidade para algum reequilíbrio do território, em termos de desenvolvimento, a julgar pelos exemplos disponíveis.

Não se conhecem posições mais reflectidas, tecnicamente ajustadas e alinhadas com o interesse nacional, no que respeita ao traçado mais adequado para a alta velocidade em Portugal, do que as que têm vindo a ser explicadas pacientemente, ao longo de muitos anos, pela ADFER e, em especial por Arménio Matias, seu presidente.

São elas que devem e têm que ser aplicadas, não de um ápice, evidentemente, mas como um plano de longo prazo, que o equilíbrio das finanças públicas assim o impõe.

Vai ser difícil aos Velhos do Restelo cantarem vitória...!

sexta-feira, agosto 12, 2005

cataventos / SUPERFICIAL

Os problemas de liderança incapaz, em Portugal, não se limitam aos detentores do poder político que temos vindo a ter de há umas boas décadas a esta parte.

Também a larga maioria dos 'opinion makers' que, por várias gerações, vêm introduzindo as suas proféticas ideias na sociedade portuguesa, alguns até pomposamente apelidados "maître-à-penser", são de qualidade que deixa muito a desejar.

Já referimos os casos fancy de Vasco Pulido Valente e de Marcelo Rebelo de Sousa.

É agora a vez de José Pacheco Pereira que, mais do que comentador fantasista, leva-nos a ser visto como catavento.

Assume-se como tendo sido um maoísta: "No início de 70 ... politizámo-nos muito rapidamente e, na altura e no caso português, essa politização passava pelo maoismo".

Para, poucos anos depois, dizer: "Fui das primeiras pessoas da minha geração a abandonar as organizações da extrema-esquerda ... em Abril de 75".

E logo na primeira campanha presidencial de Mário Soares: " É. Estive no MASP e fi-lo com muito gosto".

Donde, sempre fulgurantemente, segue em aproximação a Cavaco Silva...

Não sabemos qual vai ser o próximo apeadeiro de Pacheco Pereira, mas também o que interessa é preceber-se que as ideias que profusamente veicula são essencialmente as que resultam de modas ou de circunstâncias alheias. Deambulando, para todos os efeitos, sempre à superfície, sem apanhar as correntes duradouras dos fundos...

Sendo como é um estudioso da história, como nunca se deu ao trabalho de perscrutar no pensamento genuinamente português as fontes das ideias originais de que o país tanto carece?

Não temos acervo suficiente?

Imbuído de um espírito anti-Salazar/Caetano obcecado, contemporâneo da sua formação, confundirá a respectiva defesa intransigente do império com os elementos estruturais do comportamento dos portugueses, consciente e intencionalmente enraizados em particular durante a segunda dinastia? Que nada têm a ver com a passiva-defensiva visão salazarista/caetanista?

Portugal, e a sua função no mundo, têm de ser pensados de modo mais abrangente, fazendo um real e definitivo esforço de relativização da época em que se formaram os principais comentadores de serviço.

Esse é um passo indispensável para o enquadramento de uma estratégia de muito longo prazo a que, mais cedo ou mais tarde, não tendo nós tomado a iniciativa, o sistema internacional em que nos inserimos nos vai obrigar, se queremos sobreviver como estado verdadeiramente independente.

Estará Pacheco Pereira à altura de participar numa tarefa dessas ou já não consegue mesmo sair do atoleiro?

quinta-feira, agosto 11, 2005

fancy / COMPLEXOS

...está esgotado...para encomendar clique acima...

caminhos / ANGOLA


O deslocamento das atenções americanas para o golfo da Guiné, num quadro internacional de reorientação das fontes principais de abastecimento de petróleo, em curso, pode constituir, para Portugal, uma oportunidade de relevo, no sentido do reequilíbrio da sua função internacional.
Com o novo foco de interesse dos EUA, de algum modo já ultrapassados pela China naquela região, e particularmente em Angola, Portugal pode e deve, independentemente do seu estatuto de membro da União Europeia, ter como objectivo a intensificação do relacionamento com os EUA para a concretização de políticas que aí possam garantir uma estabilidade duradoura.
Seria ideal que estivessemos munidos de uma estratégia de longo prazo, onde se inserisse essa intensificação, mas atravessamos sérias dificuldades de liderança política, como é por demais evidente... O que, impedindo-nos de actuar por acção, não deve impedir que, pelo menos, actuemos por reacção.
Significant U.S. interests in the Gulf of Guinea, as an increasingly important regional supplier of oil and a region of extensive internal conflict, require a coordinated long-term U.S. policy toward the region. States in the region have begun to combat chronic problems of crime syndicates, border disputes, disease, and corruption, but for the most part lack the capacity and resources to achieve measurable results. Nascent attempts by U.S. agencies and international organizations to address specific problems have faltered due to a lack of coordinated policy. There exists an opportunity for the U.S. to take the lead role in assisting the Gulf of Guinea achieve greater stability and security, for the benefit of both the region and U.S. interests there. It is our hope that this opportunity will not languish.
Outra questão, não de somenos importância, é saber se, decidindo o Governo Português reagir, como parece ser intenção do actual ministro, a representação de Portugal em Angola tem capacidade para interiorizar o objectivo e agir em conformidade, o que de todo não parece ser o caso.

quarta-feira, agosto 10, 2005

magister dixit / TRABALHO EM EQUIPA

parti pris / REFLORESTAR

O arquitecto, com a leitura ampla que faz do (des)ordenamento a que o território foi sujeito há muitas décadas, traz-nos a esperança, colocando o drama dos incêndios numa posição relativa que chega a surpreender:
O mal vem de longe. Mas não estou seguro de que se vá enveredar agora pelo caminho certo. Já estão a dizer que querem reflorestar tudo como estava. Fico horrorizado quando ouço isso. Significa que querem voltar aos pinheiros e aos eucaliptos. Perguntem às vítimas dos incêndios que ficaram sem as casas se querem outra vez pinheiros à porta. Destruíram as hortas... Porque ardem as casas? Porque o pinheiro está no quintal.
Também o terramoto permitiu que o Manuel da Maia, a mando do Marquês de Pombal, fizesse a Baixa lisboeta. Não desejo um terramoto, mas não percam esta oportunidade. O futuro do País e da sua identidade cultural e independência está em causa.

produtividade / TRUST AND VITALITY


Este ano comemoram-se, no Japão, 50 anos do movimento para a produtividade. Na Declaração referente a este aniversário, pode ler-se:
O atraso estrutural de Portugal em matéria de produtividade, que tanto contrasta com este movimento japonês, exige saltos qualitativos que a história já demonstrou serem possíveis.
Abel Mateus tem um diagnóstico interessante, mas os saltos de que falamos não se podem confortar com a exiguidade do rectângulo.
Não podem deixar de considerar a especial relação de Portugal com os territórios onde investiu, durante largos séculos e muitas gerações, toda a idiossincrasia da sua peculiar maneira de estar com os outros povos.

aisthesis / BARREIRA DO SOM

Auréola de vapor de água que se forma no momento em que é ultrapassada a barreira do som.

magister dixit / ACREDITAR



Não estou aqui a sugerir que tentemos resolver problemas sociais com a mesma eficiência com que o nosso cérebro gere os processos básicos da nossa vida. Pode bem ser que um grau de eficiência comparável nem seja possível. As ambições a que temos direito são mais modestas. Vejo também que, nesta matéria, os falhanços repetidos do passado e do presente justificam um certo cinismo; a tentação de não participar em qualquer esforço organizado para gerir a humanidade é uma atitude bem compreensível. Mas a desistência e o isolamento apenas garantem a derrota. Embora possa parecer ingénuo e utópico, especialmente depois de se ler o jornal de manhã ou se ouvirem as notícias da tarde, não há qualquer alternativa: é necessário acreditar que podemos contribuir para a solução do problema.

(in 'Ao Encontro de Espinosa', Mem Martins, Publicações Europa América, 2003, p. 321)

terça-feira, agosto 09, 2005

marco / NÓNIO



magister dixit / ERRO

Uma das questões que o Brasil teria de resolver na sua relação conosco é saber quando é que começa a literatura de língua portuguesa para vocês. Porque se começa só com o grito do Ipiranga, vocês separam-se de seis séculos de literatura que são nossos, mas que eu considero que também deveriam ser vossos. Admito também que alguns escritores portugueses possam ter esta idéia de que o Brasil não interessa muito, de que o que interessa são as grandes línguas cultas, ter livros traduzidos em inglês, francês, alemão e por aí. É um erro. Da mesma maneira que é um erro ignorar, de um lado, a Espanha e, do outro, a América Latina, que são milhões de pessoas que têm uma cultura que, não sendo comum de todo, é de ida e de volta, de troca de coisas boas e más. Portanto, essa espécie de pan-iberismo, sem qualquer tentação imperial, evidentemente seria qualquer coisa a criar ou renovar, se já existe em estado latente

caminhos / INTERNATIONAL SPACE STATION


Ainda que pertencendo à ESA (European Space Agency), Portugal decidiu não participar na ISS (International Space Station).
Faz sentido, um país que esteve na frente avançada dos Descobrimentos, não ser parte activa de todos os empreendimentos que são, nos nossos dias, os continuadores da aventura que os portugueses lideraram há meio milénio?
É preciso retomar o caminho próprio de quem tem responsabilidades históricas de grande relevo nos avanços tecnológicos e consequentes descobertas, indesligáveis da natureza humana.

marco / CARAVELA

segunda-feira, agosto 08, 2005

caminhos / PROPOSTAS




No seu programa sobre o Museu Nacional dos Coches, José Hermano Saraiva mostrou mais uma vez a diferença entre os capazes de engendrarem caminhos e os que permanentemente analisam, analisam e ... analisam apenas.
A propósito da diferenciação mundial que este museu representa, uma vez que será o único com tal espólio de carruagens, propôs, por um lado a construção de um museu moderno, capaz de albergar não apenas as 19 carruagens presentes no Palácio de Belém, como as cerca de 70 que se encontram em Vila Viçosa.
Por outro lado, propôs que, para chamariz de turistas, designadamente americanos, fosse posta a circular na zona do museu uma réplica do coche da Cinderela.
No âmbito do cluster do turismo, inquestionável cluster de uma estratégia nacional no sentido dos re-Descobrimentos, José Hermano Saraiva aponta o caminho, através de uma medida simples, directa, ágil para uma efectiva criação de riqueza, capaz de ser posta em prática, totalmente, com saber-fazer nacional.
Não seria animador, até para contrariar a descrença nacional, que, por exemplo, arquitectos como Siza Vieira e Souto Moura, à semelhança do que fizeram para a Sepentine Gallery, desenhassem esse novo museu dos coches?
Tratar-se-ia de investimento público altamente reprodutivo, não sujeito a qualquer dúvida fundamentada sobre o retorno que pode proporcionar, a todos os títulos.
É preciso referir que, propostas como esta de José Hermano Saraiva, se têm de enquadrar precisamente numa estratégia nacional de muito longa duração, para que os recursos disponíveis e captáveis possam ter a melhor aplicação possível, em diversas vertentes, designadamente as do ensino, educação e formação profissional, numa adequada conjugação com os objectivos estratégicos estabelecidos.

fancy / NAS BORDAS

Na galeria dos que sistematicamente analisam e criticam, Marcelo Rebelo de Sousa é um dos que não se fica apenas pela análise e crítica, como é, por exemplo, o caso de Vasco Pulido Valente.
Marcelo às vezes aponta caminhos, embora saibamos que, quando bordejou o poder, não teve a 'endurance' suficiente para se cotar como um concretizador.
Mas a que linha de pensamento fundamental, eficaz para Portugal, se podem relacionar esses caminhos que o político, comentador e professor aponta, quando aponta?
Quase definitivamente, devemos dizer que não consegue subtrair-se à política mundana e quotidiana, soçobrando mesmo quando a amizade o obriga a branquear comportamentos mais do que duvidosos dos que classifica como seus amigos.
As suas observações, extremamente empíricas, justificam-se por supostamente querer atingir segmentos de população que venham a servir os seus objectivos políticos pessoais?
Acontece que, mesmo a classe média nacional, está cada vez mais carente de uma solução para Portugal, com uma visão abrangente, à dimensão do lúcido e pujante projecto dos Descobrimentos, o que não parece, de todo, ser preocupação de Marcelo Rebelo de Sousa.
Mais grave é se, mais do que não ser preocupação, corresponde a uma perspectiva típica da geração em que se insere e que se identifica, genericamente, por aqueles que, tendo sido formados por valores de um Portugal inserido no euromundismo, se encontram ainda perdidos pela indefinição do papel de Portugal no mundo pós entrega dos seus territórios ultramarinos, pós queda do muro de Berlim e, também já, pós 11 de Setembro.
Perdidos e incapazes de reagir, continuando na linha de dependência da soberania de Portugal perante factores externos muito limitadores do poder de decisão, que se verifica desde os efeitos da crise de 1580-1640.
Incapazes de reagir, pese embora as múltiplas oportunidades que se encontram hoje ao dispor de quem é herdeiro de inimagináveis e engenhosas conquistas, plenas de capacidade de liderança.
Bem vistas as coisas, Marcelo Rebelo de Sousa coloca-se muito à superfície, não se liberta da fantasia da história das pequenas durações, não demonstrou, até hoje, ser capaz de engendrar um pensamento e, menos, mobilizar a opinião, no sentido da função que Portugal pode e deve ter no mundo.
Será que entende que pensar uma estratégia para Portugal não é próprio de uma democracia? Que se deve deixar ao mercado das ideias o seu surgimento, por geração espontânea? Que um texto constitucional, programático praticamente apenas quanto aos direitos dos cidadãos, é suficiente para, um dia, 'dar à luz' um caminho para Portugal?