quinta-feira, junho 22, 2006

hope / mais vale tarde que nunca


Até o indefectível José Pacheco Pereira (JPP) já acha (ontem na Quadratura) que, pouco mais de 10o dias apenas passados sobre a tomada de posse de Cavaco Silva como Presidente da República, deve este ter em atenção que é presidente de todos os portugueses e não só do governo.
Este incrível Cavaco está, segundo JPP colado ao governo, 'esquecendo-se' que tem de considerar também as posições da oposição democrática.
'Esquecendo-se'... Com o que se vai passando com este deslumbrado presidente, estamos mas é perante mais um caso de liderança fraca de que Portugal vem sofrendo há muitas décadas!

segunda-feira, junho 19, 2006

marco / A mutilação


A aparição de VPV ontem na televisão e a sua análise perspicaz (apesar de não passar de análise, diagnóstico...) traz à tona uma questão das mais relevantes dos tempos recentes.
O CEDN (conceito estratégico de defesa nacional), mutilado por Paulo Portas nas partes de carácter económico que tinha nas suas duas versões anteriores, retira um instrumento fundamental aos meios de que Portugal poderia dispor para ultrapassar a crise histórica em que se encontra mergulhado.
A Defesa, Dr. Paulo Portas (PP), é hoje - e desde há já muitas décadas - essencialmente poder económico (e classe média forte, enraizada na criação de riqueza), muito mais do que carros de combate e submarinos sem qualquer base económica de sustentação.
E bastava tão só ler o CEDN dos americanos (que uma certa direita portuguesa moderna tanto admira), tê-lo pedido a Rumsfeld, por exemplo ..., para ver o que é um CEDN de sucesso no mundo competitivo de hoje ...
A agora comprovada falta de visão do ministro de Estado e da Defesa Nacional PP, constituiu uma oportunidade flagrantemente falhada quanto à necessária saída do atoleiro em que nos encontramos.
As miragens do Paiva Couceiro biografado por VPV, trazidas para os dias de hoje, tornar-se-iam realidades palpáveis, por certo, se os ditos líderes da direita que por aí andam tivessem um pouco, apenas um pouco, de atenção ao que os rodeia!

postaberta / Aos portugueses Ricardo e Francisco



Portugueses,
É aquela coisa na bandeira que me traz à presença de V. Exas..
Esperei estes dias todos para ver se havia algum rebate de consciência, ou se a coisa tinha simplesmente escapado ao controlo. Mas não, nada...
Sabemos o que os poderes públicos têm vindo a fazer deste país há já muitas décadas.
E sabemos até as ligações próximas, ou mesmo as vivências, de V. Exas. a esses e desses poderes.
Mas, que diabo, ter-se chegado à bandeira...!
Ter-se premeditado o 'truque' de descolar uma ponta da pública bandeira para lá pôr insígnias privadas que prosseguem interesses de grupos particulares, cabe na cabeça de pessoas compenetradas do papel da cidadania que lhes incumbe?
Este é mais um sinal do estado doentio da sociedade portuguesa destes dias, agora agravado com a certeza de que actores com elevadas responsabilidades na sua parte civil, também já não respeitam fundamentos essenciais da nossa vida colectiva.

domingo, junho 11, 2006

dito pelo próprio / cavaco versão dez do seis

Se "A Pátria é um palmo de terra defendido", quem a está a defender?

socos / não vão longe

Jaime Nogueira Pinto (JNP), no passado Expresso, diz que "não vão longe", diz.
Diz a propósito de Espanha e Portugal o que a direita não quer ouvir ou não quer seguir.
Seguir seria mais adequado, mas os portugueses, os intelectuais portugueses, como JNP, são sempre inconsequentes.
Inconsequentes na adequação dos actos às palavras, na acção sem a qual todo o verbo se torna verborreia!
Verborreia sem medida, castradora do surgimento das soluções que se impõem.
Impõem-se medidas de absorção do descontamento, no sentido da acção contra o presente status quo da incompetência mais torpe que se apoderou do Estado e nele se enraiza.
Enraizar em chão democrático uma saída para a deprimente humilhação a que Portugal se tem vindo demoradamente entregando é o que urge.
Urge a refundação da direita, como primeiro passo indispensável.

terça-feira, maio 30, 2006

trapalhadas / a da inclusão

Cavaco Silva, com este roteiro para a inclusão, aproxima-se da visão dos que, antes de mais, se preocupam com a distribuição em detrimento da produção de riqueza. Uma visão que não descola da perspectiva genericamente marxista.
Estranho, muito estranho, para um economista, um professor, alguém que já presidiu a um partido social democrata em Portugal, na história recente!
Cavaco sabe -e, portanto, não se percebe bem a sua agenda- que o aspecto crucial da vida dos portugueses hoje não é o combate à exclusão.
O verdadeiro combate que continua deserto de combatentes e de método é o do crescimento económico, através do qual se poderá combater a exclusão social.
Com trapalhadas como as do projecto da Refinaria Vasco da Gama, que passou bem à frente dos olhos de Cavaco, como é que este presidente-da-inclusão vai de facto resolver o problema?
Será que, mais tarde ou mais cedo, vai também andar por aí a chorar como o outro?

quarta-feira, maio 17, 2006

offside / cervejas, futebóis e touradas




Sui generis o funcionamento da economia portuguesa e respectiva auto-regulação.
Foram as cervejas Cintra, inauguradas com pompa e circunstância, com Presidente da República e tudo (o Sampaio...), com financiamento bancário à força toda, Caixa Geral de Depósitos à cabeça. Era (e ainda é...) a terceira fábrica de cerveja em Portugal, país com menos habitantes do que Paris! Como era bem de ver, agora com falência no horizonte .
Foi o Alvaláxia, brilhante ideia do reputadíssimo empresário português José Roquete. Falhanço estrondoso, com financiamento garantido e venda anunciada com desespero. Era (e ainda é...) mais um centro comercial na selva de centros em que Lisboa e Portugal (considerada a dimensão de uma e outro) se estão a tornar.
É agora o novo Campo Pequeno, reaberto depois de mais de cinco anos de obras, a medirem-se com as de Santa Engrácia. Mais financiamento à toa, com mais um desastre à vista...
Quem suporta todos estes desvarios de empresários tidos como estrelas, num país em que os bancos financiadores de projectos claramente perdedores ab initio, se tornam gradualmente accionistas do interesse geral?

terça-feira, maio 16, 2006

descaminhos / o cavaquismo nunca existiu

Até ver temos mais do mesmo: discursos e mais discursos sobre o que se deve fazer, sobre o que é que os empresários devem fazer...
O Cavaco Silva estatizante de sempre tem vindo a revelar, afinal, muito da sua essência: encostado ao Estado, mais uma vez dentro do Estado, numa atitude que o seu discípulo Barroso tentou pôr em prática com os resultados que conhecemos: o Estado separado dos empresários, aquele o cobrador de impostos, estes os criadores da riqueza indipensável à cobrança de impostos.
E...vai falando de...globalização!
Ainda não se apercebeu de que, nestes tempos de globalização, são os Estados que encabeçam os grandes negócios, são os Presidentes que chefiam as delegações de empresários, públicos e privados, que vão VENDER os serviços e produtos dos seus países, juntos, irmanados no mesmo objectivo.
Cavaco vai VENDER? Ou vai limitar-se a fazer como todos os outros, discursar, discursar, discursar?
O cavaquismo é uma miragem!

quarta-feira, maio 10, 2006

socos / episódios em torvelinho


Se fosse no tempo de Santana Lopes, o que os nossos queridos jornalistas encarteirados, em geral, não teriam já espingardado!
É estonteante a rapidez com que este governo faz e desfaz anúncios públicos de investimentos como o da refinaria Vasco da Gama, o maior da história económica de Portugal.
Vergonhosa a atitude do primeiro ministro perante a sucessão inacreditável de episódios e mais episódios.
Os empresários e investidores, nacionais e estrangeiros, que leiam bem o comunicado de Patrick Monteiro de Barros suspendendo as negociações.

terça-feira, maio 09, 2006

trapalhadas / socráticas

As trapalhadas, de tantas e múltiplas e de todos os ministros, têm de ser apelidads de socráticas.
Socrático é o "processo pedagógico subordinado a perguntas e respostas, quando essas perguntas têm por fim ... levar o discípulo ao conhecimento do próprio erro, para seguidamente o conduzir ao descobrimento da verdade" (Grande Dicionário da Língua Portuguesa, Tomo IX, pág. 260).
Será então por isso - por seguir o método socrático - que o ministro da economia levou Monteiro de Barros ao erro dos benefícios fiscais e da poluição da refinaria para o conduzir ao ... descobrimento da total incapacidade do governo, que é a única verdade que se descortina nisto tudo!
Este Sócrates ainda vai dar muito que falar, tal é a mistificação...

quinta-feira, maio 04, 2006

hope / um refinado comentador


Talvez Miguel Sousa Tavares tenha vindo a refinar o conteúdo da sua capacidade de análise e de comentário desde os tempos desta fotografia (1979) mas é ultimamente que se tem revelado como um oportuno lançador de pedradas neste charco que é Portugal.
No Expresso tem vindo a dizer livremente o que outros omitem, tornando-se uma espécie de óasis no seio da comunicação que nos quer moldar.
Que diferença dos complexos de Marcelo! Que diferença dos rolos de Vitorino!

quarta-feira, maio 03, 2006

descaminhos / Teimar no Erro

O Campo Pequeno vai reabrir remodelado, depois de setenta e cinco milhões de investimento e é já no dia 17 de Maio, não se antevendo tempo suficiente para remodelar os jardins que a circundam!
Um investimento brutal... rodeado de jardins abandonados...
Teimar no erro desta maneira é manifesta falta de inteligência!
A aprovação de um projecto desta dimensão não deveria obrigar o investidor a cuidar dos jardins que, notoriamente, integram o empreendimento?
O que é que andam a fazer os responsáveis políticos que permitem situações destas?

quarta-feira, abril 26, 2006

socos / Deslumbrado?


Estará Cavaco Silva deslumbrado com o seu estatuto de Presidente da República?
Ao que assistimos foi a um discurso sem cravo na lapela mas puxado à esquerda.
Não era melhor com cravo na lapela mas puxado à direita?

sexta-feira, abril 21, 2006

descaminhos / UM ENGANO CHAMADO SÓCRATES


As notícias veículadas pelas mais conceituadas entidades sobre a economia portuguesa acabam definitivamente com o estado de graça de um primeiro-ministro saído de mais um dos grandes equívocos da sociedade portuguesa.

Quando José Hermano Saraiva refere que, mesmo os quatro anos constitucionais de mandato para o governo, são pouco, não estará certamente a pensar em casos patológicos...

quinta-feira, abril 20, 2006

parti pris / CAMPEÃO

Não é pouca coisa: um campeão mundial de cozinha aos 21 anos! Boa João Carlos Simões.

quarta-feira, abril 19, 2006

socos / Terceiro Mundo?

Uma sociedade que não tem meios autoregulatórios para eliminar de cargos de responsabilidade pública aqueles que já mostraram não serem capazes e que, tendo-lhes sido dada uma nova oportunidade, reincidem, é uma sociedade doente, muito doente.

terça-feira, abril 18, 2006

offside / e ei-los de mãos vazias...

Quantas encomendas trouxe a fantástica comitiva de empresários e políticos a Angola?
Tantas quantas as que estão a conseguir na Argélia?

quinta-feira, abril 06, 2006

descaminhos / O 'Tudo ó molho e fé em Deus' em reprise


Mantêm-se as políticas erráticas de Portugal nos mercados-chave externos. O caso agora é Angola.
Continua-se a fornecer empresários às pázadas, enfiados em aviões com muitos ministros, até com o primeiro-ministro.
Desta vez sem a presidência da república que é a instituição que mais tem contribuído para o espectáculo da demonstração comprovada da nossa incapacidade.
O trabalho de casa, árduo, remetendo para a recolha de todos os méritos, incluindo os que estão por descobrir, esse trabalho continua alegremente por fazer...
A especialização da economia portuguesa, que significa a aposta conjugada do Estado e dos privados nos sectores em que Portugal pode competir internacionalmente, continua por definir!
Que resultados se esperam, nestas condições, de mais esta excursão portuguesista?
Mais tempo perdido, mais dinheiro deitado à rua, por certo.
Economias mais aptas a conquistarem os mercados internacionais - como a chinesa precisamente por ser dominada por empresas públicas -, em que o Estado assume um papel comercial e financeiro activo, batem-nos sem apelo nem agravo.
Se não, veja-se o que se passa com o desenvolvimento do transporte ferroviário angolano, concebido pelos portugueses e, agora, totalmente açambarcado pelos chineses.
Não existe em Portugal inteligência suficiente para se compreender o que está bem à frente dos nossos olhos?
Para além de desburocratizar o Estado nas suas relações com os cidadãos, o governo precisa, e muito, de interiorizar que tem de ser parte activa nos grandes negócios internacionais, tem de se conjugar com os empresários privados, com humildade, com espírito construtivo e pragmático para garantir grandes projectos que arrastam o desenvolvimento económico de Portugal e do país de localização desses projectos.
Começar pela definição da especialização nacional significaria começar a fazer o indipensável trabalho de casa...

quinta-feira, março 16, 2006

marco / ESTÁ ABERTA A CAIXA DE PANDORA


Não pode deixar de vir a constituir um marco na história económica, e até política, de Portugal, a decisão do Millennium bcp avançar com uma OPA sobre o BPI.
Foi aberta decisivamente uma muito perigosa caixa de pandora!
Trata-se de uma decisão que, no quadro de uma nova onda de OPA's na Europa e nos Estados Unidos, só pode animar, de um modo não necessariamente racional, os predadores internacionais a tomarem de assalto as poucas e extraordinariamente periclitantes empresas portuguesas que ainda restam.
Com efeito, as empresas portuguesas, mercê de uma fase económica de Portugal historicamente dramática -e que tem muito a ver com o fim da exclusiva origem externa da criação da riqueza nacional que a revolução de 1974 trouxe- estão completamente opáveis.
Sendo, pois, Portugal actualmente um elo fraquissimo da cadeia do capital internacional, o que espera o Millennium bcp desta sua atitude?
Foi uma decisão para evitar uma OPA de um banco estrangeiro sobre si? Ataca o BPI para obviar a que esse banco estrangeiro tenha a vida facilitada?
Quando se fala insistentemente em mercado único, terão as autoridades portuguesas capacidade para argumentar, contrariando o funcionamento normal do mercado de transacção de empresas através das bolsas?
Não é fácil descortinar se, neste caso, o ataque do Millennium será a melhor defesa, mas tudo indica que seria melhor esperar para ver.
Aliás, no quadro de o Millennium ter sido alvo de uma OPA por uma banco estrangeiro, não seria mais fácil, ao montar a sua defesa, engendrar uma fusão com o BPI, conseguindo atingir o seu objectivo de agora de um modo bem mais inteligente?
Os efeitos de o capital estrangeiro - nomeadamente o espanhol sempre desejoso de mais quota de mercado -, se sentir a partir de agora com todo o direito de avançar sem qualquer preconceito de carácter político, são de todo imprevisíveis.
E intensificam, em proporção geómétrica, as preocupações dos que percebem que a independência de Portugal corre riscos cada vez mais claros.

sexta-feira, março 03, 2006

socos / A DIREITA DEPRIMENTE


Simplesmente deprimente o espectáculo do CDS ontem na Assembleia. O CDS, Telmo Correia e Paulo Portas podem continuar por esta via de política sem substância (e mesmo sem educação na forma!), mas não devem falar em nome da direita, muito menos da direita democrática.
Não se apreciam aqui as posições de Freitas do Amaral, cada qual tirará as conclusões que são de tirar. Mas o que é certo é que não é preciso vir um grupo parlamentar a terreiro fazer ver às pessoas o que cada um deve pensar sobre os comportamentos de Freitas enquanto ministro de Portugal.
O afundamento do reconhecimento público da bondade dos valores, de alguns valores, do CDS e da direita, com estas atitudes, não pára, quanto mais retroceder.
À direita, muito mais do que à esquerda (PSD incluído), fazem falta uns 'estados gerais', uma reflexão consequente que ponha no devido lugar os conceitos, a eterna confusão que atravessa o CDS, entre democracia-cristã, conservadorismo e liberalismo e que coloque no sítio adequado aqueles que continuam a arrasar impunemente a imagem da direita.